RELATÓRIO FINAL DA AUDIÊNCIA PÚBLICA
REALIZADA DIA 15 DE MARÇO DE 2012 NA CÂMARA LEGISLATIVA DO DF
TEMA: NECESSIDADES INERENTES AO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
DA ESCOLA SUPERIOR DE CIÊNCIAS DA SAÚDE E NECESSIDADES ESTRUTURAIS RELACIONADAS
AO CAMPUS SAMAMBAIA SUL ONDE O CURSO É SEDIADO
A
audiência pública realizada no dia 15 de março de 2012 na Câmara Legislativa do
Distrito Federal (CLDF) originou-se da necessidade de se estabelecer
transparência sobre temas relacionados à gerência e funcionamento do curso de
graduação em Enfermagem da ESCS. O curso começou com
o vestibular, em 2009, que foi realizado no começo do ano, por uma
intercorrência no preenchimento das vagas. O início do curso teve que esperar
até o meio do ano para que se pudesse preencher e, durante todo esse tempo,
houve uma situação de indefinição quanto ao campus.
Havia a decisão de que o campus da
Enfermagem seria em Samambaia desde o início. O curso, porém, iniciou no meio
do ano de 2009 no campus da Asa
Norte, dividindo a estrutura física da Fundação de Ensino e Pesquisa em
Ciências da Saúde (FEPECS) que é destinada ao curso de Medicina, em decorrência
de a obra do campus de Samambaia não
ter sido concluída e também em decorrência da necessidade do cumprimento do
calendário escolar.
A nossa mudança para o campus de Samambaia foi feita em meados de 2010, com a
justificativa de descentralização do ensino. A outra justificativa seria a
descentralização para que se tivesse o ingresso de indivíduos da periferia na
escola. Desde a ocasião o curso foi instalado em uma estrutura improvisada de
forma precária dividindo o espaço com o Conselho Tutelar de Samambaia, e a
partir daí nenhuma melhoria foi realizada no local. Outras turmas ingressaram
no curso e nenhum investimento foi feito na estrutura do curso. O que era provisório
tornou-se fixo em três anos, e o que passou a ser administrado pela direção da
ESCS e da FEPECS foi a manutenção desta situação. Foi criada uma verdadeira
blindagem dos gestores para que a situação precária do curso de Enfermagem não
extrapolasse as paredes da escola. Enquanto isso, o curso de Medicina caminhava
de forma espetacular alcançando o padrão de excelência em ensino segundo o
Ministério da Educação (MEC).
A situação tornou-se insustentável, muitos
estudantes vítimas de assaltos, problemas com alagamento, com espaço para
acomodação dos estudantes, transporte para deslocamento para o campus e o pior, a maior contradição é
que enquanto o curso de Medicina alçava grandes voos, os estudantes de Enfermagem
agonizavam sem ter ao menos uma biblioteca com um acervo decente que pudesse
suprir suas demandas e estudo, o que é no mínimo constrangedor e contraditório.
Os estudantes se organizaram para tentar chegar a uma solução através da
Coordenação do Curso de Enfermagem (CCE) e da direção da ESCS para a solução
dos problemas relacionados acima.
A postura da direção da escola foi de que
não se poderia investir no campus
porque o mesmo não pertencia a Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) e que
esse processo breve seria concluído, neste momento do processo os estudantes
não conseguiram ter acesso ao diretor da escola e muito menos ao gabinete da
direção da FEPECS. A estratégia de ambas as direções era enviar assessores para
inebriar o corpo discente em relação à realidade posta. Os estudantes
incomodados pela falta de respeito com a proposta de formação da ESCS, de um
profissional crítico e reflexivo passou a compreender que havia algo errado, e
que a preocupação com a formação de qualidade dependia do corpo discente e do
exercício de sua cidadania. O corpo discente teve acesso à informação na
TERRACAP de que o terreno estava em processo de transferência, porém, para uma
creche desde 2006, e pior, o curso de graduação em Enfermagem sequer existia no
organograma institucional da FEPECS (situação que se mantém até hoje). Mediante
a realidade posta, houve a necessidade de se tomar uma atitude para que fosse
preservada a qualidade diferencial da formação.
A ESCS traz em seu Projeto Político
Pedagógico (PPP) traz a presença forte da cidadania como instrumento
fundamental para a diferenciação do profissional a ser formado, esse fato
influenciou no trabalho dos estudantes, pois os mesmos conhecedores dos
instrumentos de exercício do direito passaram a procurar solução para os
problemas fora dos âmbitos gerenciais inoperantes da escola, da fundação e do
curso.
A CLDF tem em sua estrutura as
figuras das comissões para tratarem de assuntos de áreas específicas inerentes
ao DF. Conhecendo esta condição os estudantes buscaram a Comissão de Educação, Saúde
e Segurança da CLDF que é responsável por analisar e, quando necessário, emitir
parecer sobre o mérito das seguintes matérias:
a)
Saúde pública;
b)
Educação pública e privada, inclusive creches e
pré-escolas;
c)
Educação sanitária.
O Regimento
Interno da CLDF é claro quando relata no artigo 85: “As comissões poderão
reunir-se em audiência pública, para esclarecer assunto específico e de
interesse público atinente a sua competência”. E ainda que: “Os Secretários de
Governo e demais autoridades do DF comparecerão perante a CLDF ou suas
comissões para:
I - Quando
convocados para prestar, pessoalmente, informações sobre assunto previamente
determinado.”
Mediante essa
possibilidade de expor a realidade do curso à sociedade, e pelo descaso das
direções da ESCS e da FEPECS, que através de várias manobras impediram o debate
com o corpo discente sobre as necessidades gritantes da graduação em Enfermagem,
não houve alternativa senão a convocação de Audiência Pública. Oportunidade
para que o Secretário de Saúde (que é o Presidente da FEPECS) e que não
contemplou a ESCS na agenda da SES até o momento, viesse e explicasse o porquê
de tanto desmando e ingerência com essa escola de Saúde Pública reconhecida
nacionalmente, que a essa altura dos acontecimentos já sofria há mais de quatro
meses até com a falta de copos descartáveis para o consumo de água.
Foi
protocolado então um pedido de Audiência Pública (anexo) no gabinete de um
parlamentar, professor Israel que é docente, e que é membro da Comissão de
Educação, Saúde e Segurança da CLDF expondo a situação. A Audiência Pública foi
então organizada e realizada com sucesso, teve um resultado satisfatório pela
adesão de todas as turmas da Enfermagem, e mais, a grande força do corpo
docente que participou ativamente para garantir a presença dos estudantes no
evento.
Encaminhamentos de demandas para curto
prazo:
- Inclusão oficial do curso de Graduação em Enfermagem dentro do organograma institucional da FEPECS de forma oficial, visando reestruturação organizacional da FEPECS e da ESCS, e da própria SES, nos órgãos com interface, com novo arcabouço jurídico e autonomia didático-científica, administrativa e financeira para a Escola;
- Auferir recursos no orçamento do DF e do Governo Federal para a reestruturação do campus atual, que segundo documento da FEPECS (anexo) passou ao domínio das SES, para que o espaço possa comportar de forma adequada os estudantes durante o prazo de construção de um campus adequado às demandas da Enfermagem;
- Requerer posicionamento oficial das direções da FEPECS e ESCS sobre o terreno doado em 2012 pela Administração Regional de Samambaia e Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Habitação (SEDHAB) para instalação de campus fixo (processo anexo que foi encaminhado à FEPECS em 16/04/12 pela Administração Regional);
- Instalação de transporte da própria SES para traslado entre a estação do metrô e o campus atual (durante os primeiros meses do ano de 2010 os estudantes tiveram um ônibus da SES para a realização deste percurso, o mesmo foi retirado sem nenhuma informação);
- Informar-se sobre o instrumento legal para se captar os recursos disponibilizados ainda para 2012 pelos parlamentares presentes nesta Audiência Pública (DEPUTADO OLAIR FRANCISCO: verba de R$ 150 mil, DEPUTADA CELINA LEÃO: verba R$ 200 mil - informações presentes nas notas taquigráficas da Audiência Pública);
- Reestruturação da
rede de computadores para o aumento da capacidade da mesma que atualmente
está aquém do que seria adequado à demanda dos estudantes em termos de
velocidade e acesso;
- Exigir do atual
Governador e Secretário de Saúde a inclusão da ESCS na pauta da SES como
forma de compromisso com a Saúde Pública (os gabinetes destes personagens
devem estar acessíveis não só ao corpo docente, mas também ao discente
para debate sobre as melhorias da escola, o que é imprescindível para o
estabelecimento de transparência na gerência da nossa instituição);
- Valorização da ESCS dentro da CLDF em relação ao planejamento orçamentário (o orçamento da FEPECS caiu de forma espantosa, o que reflete na condução da escola que não tem autonomia financeira e muito menos gestacional);
- Ajustamento do policiamento da área do campus atual (vários assaltos já ocorreram inclusive uma tentativa de assalto logo após a realização desta audiência – anexo boletim de ocorrência);
- Estabelecer canal de interação com o Conselho Regional de Enfermagem (COREN) para que seja exercida fiscalização não somente sobre os profissionais formados, mas também sobre essa instituição formadora.
Encaminhamentos de demandas para longo
prazo:
1.
Reajuste
do valor da GAE já e para todos;
2.
Programa
de Educação Permanente na temática de Educação em Saúde para todos os docentes
da ESCS e preceptores da SES;
3.
Criação
de plano de carreira de Docência e Preceptoria na ESCS e na SES;
4.
Gestão
participativa em todos os níveis da ESCS e da FEPECS;
5.
Matriz
de trabalho entre Educação e serviços da SES, com definição de novo modelo de
gestão próprio de integração Ensino-Serviços: Gestão Matricial para Resultados;
6.
Revisão
do Regimento Interno da ESCS;
7.
Revisão
do Manual de Avaliação;
8.
Fomentar a criação de uma Subsecretaria de Ensino
Superior no âmbito da Secretaria de Estado de Educação (SEE/DF) para que se
possa trabalhar a regulamentação e
reconhecimento da ESCS como universidade pública do Distrito federal;
9.
Revisão do
programa Bolsa Universitária (os requisitos para inclusão de estudantes no
benefício não condizem com a atual realidade socioeconômica do país em relação
ao quesito renda percatipa);
10. Atualização constante do acervo
bibliográfico (após a Audiência Pública a FEPECS recebeu os livros da empresa
que havia vencido o processo licitatório e que estava em atraso com o
fornecimento do produto, está sendo atualizado o acervo e esse processo não
pode ser pontual, e sim permanente).

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